Jornal de SALo Caetano

15 de junho de 2026

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data: 10/08/2012

Editorial - Quem está pagando a conta?

Há três constelações de estrelas no julgamento do Mensalão. A primeira, formada pelos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), a mais alta Corte do País, mais o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, responsável pela acusação. A segunda, os 38 réus, alguns muito notórios e verdadeiros símbolos da era Lula, como o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o ex-presidente do PT José Genoíno e Delúbio Soares, ex-tesoureiro do partido. A terceira, e certamente mais curiosa, é a constelação dos advogados de defesa.

Nos primeiros dias de sustentação, os advogados seguiram mais ou menos o mesmo rumo: não houve compra de votos por parte do governo, não existe essa história de formação de quadrilha, ninguém sabia de nada e quem sabia, tinha conhecimento “no máximo” da existência de caixa dois de campanha. Um dos advogados usou até a novela das 21h da Globo em sua fala, e classificou sua cliente como uma “funcionária mequetrefe”.

Mas a banca de defesa de mequetrefe não tem nada. O líder informal do grupo é ninguém mais, ninguém menos, do que Márcio Thomaz Bastos, ex-ministro da Justiça de Lula e considerado o maior criminalista brasileiro em atividade. É chamado de ‘God’ (Deus) por seus colegas. Há outro ex-ministro da Pasta atuando no caso, José Carlos Dias. Tem ainda um ex-presidente da OAB-SP, Antonio Cláudio Mariz de Oliveira, mais um grande nome do Direito Penal, que já atuou em casos de repercussão nacional. Seguem na lista Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, considerado o melhor advogado de Brasília, Alberto Toron, Arnaldo Malheiros e José Luis de Oliveira Lima, entre outros estrelados.

Em resumo, trata-se da nata do Direito Penal brasileiro. Que, evidentemente, não cobra barato. Márcio Thomaz Bastos, por exemplo, estava cobrando R$ 15 milhões para defender o contraventor Carlinhos Cachoeira, que está preso em Brasília. Dizem os bem informados que uma simples consulta com Toron ou Mariz de Oliveira chega na casa dos milhares de reais.

Aí fica a pergunta: como esses réus, que garantem não terem se locupletado de forma alguma com atos escusos, alguns dizendo levar uma vida simples, outros com os bens bloqueados na Justiça, estão pagando essa verdadeira constelação dos tribunais brasileiros?

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