Da Redação,
Com Agências
Reportagem dessa semana da revista Veja revelou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentou intimidar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, oferecendo ‘blindagem’ na CPI do Cachoeira em troca do adiamento do julgamento do mensalão na Corte Superior. Na terça, Mendes confirmou a conversa, realizada no escritório do ex-ministro da Defesa Nelson Jobim, e acusou Lula de estar tentando “melar” o julgamento do Mensalão.
Segundo Gilmar Mendes, o ex-presidente está se transformando em “central de divulgação de intrigas” contra ele, numa “clara tentativa” de envolver seu nome no esquema do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. “Querem, com isso, constranger o Tribunal para melar o julgamento do mensalão”, acusou o ministro.
Gilmar Mendes é defensor contundente de que o julgamento do mensalão seja realizado ainda neste primeiro semestre, e não após a realização das eleições, em outubro, como foi ‘pedido’ pelo ex-presidente da República Lula.
O ministro do STF foi taxativo ao afirmar que foi alvo de “gângsteres, chantagistas e bandidos”, que estavam vazando informações sobre um encontro que teve com o senador Demóstenes Torres em Berlim (Alemanha), numa viagem em que Cachoeira teria emprestado o avião ao senador goiano.
“Não viajei em jatinho coisa nenhuma. Vamos parar com fofoca. A gente está lidando com gângsteres. Vamos deixar claro que estamos lidando com bandidos, que ficam plantando essas informações”, refutou Gilmar Mendes, que apresentou notas e cópias de suas passagens aéreas, emitidas na TAM pelo Supremo Tribunal Federal.
Questionado se o ex-presidente Lula estaria entre os tais bandidos e gângsteres, Mendes apenas respondeu que ele está “sobreonerado” com a tarefa de adiar o julgamento do mensalão.
Mendes afirmou ainda ter dito a Lula que vai a Berlim como o ex-presidente vai a São Bernardo, que frequenta a cidade europeia desde 1979, onde mora sua filha atualmente. Segundo o ministro, ele não precisa de “fundo sindical nem dinheiro de empresa” para viajar, pois seu livro ‘Curso de Direito Constitucional’ vendeu mais de 80 mil cópias, desde 2007, e que com o dinheiro poderia dar algumas voltas ao mundo. “Vamos parar de futrica. Não preciso ficar extorquindo van para obter dinheiro. O que é isso! Um pouco mais de respeito!”.